Balada noturna nas décadas de 80 e 90 na Savassi

A vida noturna belo-horizontina foi concentrada no agitado bairro Savassi, nas décadas de oitenta e noventa, com diversão garantida para todos os gostos.

HISTÓRIAS DA SAVASSI

Leo Perez

10/25/2025

A vida noturna belo-horizontina foi concentrada no agitado bairro Savassi, nas décadas de oitenta e noventa, com diversão garantida para todos os gostos.

Este é um dos motivos para a Savassi ser consagrada como o coração de Beagá.

Em tempos de grande precaução da população brasileira em relação aos destilados, devido à mistura com Metanol, começarei citando o bar Bé-b, rei dos drinks de Beagá, na década de oitenta e acredito que de todos os tempos.

O primeiro Bé-b na década de setenta ficava na Rua Pernambuco, entre Avenida Contorno e Rua Fernandes Tourinho. O endereço do Bé-b mais conhecido foi na movimentada esquina da Rua Levindo Lopes com Rua Fernandes Tourinho já na década de oitenta.

Este ponto era o lugar ideal para o “esquenta” de preparação para a noitada com os diversos drinks preparados pelo animado Derlei. O Derlei é uma figura muito empática e comunicativa que recebia seus clientes com muita simpatia e rapidez.

Ele continua alegrando os “quarentões” e “cinquentões” da cidade com a sua presença em alguns eventos de carros antigos, como os do Clube CAF, Clube dos Amigos do Fusca e o famoso encontro na concorrida garagem 3BM.

Os drinks do Bé-b eram muito bons e os nomes dos drinks melhores ainda: Alegria de viúva, Arrancada, Chute no escuro, Dedo Duro, Divórcio, Folha de Outono, Gole do Xeré, Guindaste, Mandela, Motor de Arranque, Diabo Verde e Virada da Noite. Vou revelar duas receitas nesta publicação. Ingredientes do Alegria de viúva: vodka, pinga, vinho, leite condensado, côco e abacaxi. Ingredientes do motor de arranque: vodka, pinga, côco e pasta de amendoim.

Lembro bem que no imóvel tinha um balcão de tijolinho com muitos liquidificadores brancos e barulhentos onde eram preparados os famosos drinks do Bé-b.

Os adeptos da cerveja gelada eram servidos pelo Léo Zampier, filho do Derlei, com direito a uma das melhores e mais atualizadas resenhas da juventude.

Na entrada tinha uns degraus que funcionava como “bafômetro” da época. Se descesse a escada tranquilo passava na blitz.
Os proprietários dos carrões da época faziam questão de passar e dar uma forte “acelerada” na tradicional esquina do Bé-b.

Próximo dali, na Avenida do Contorno com Rua Paulo Simoni, onde hoje está o imponente Novotel, localizava se o Bar Savassinuca.

Este estabelecimento funcionava vinte e quatro horas e era ponto assertivo para os boêmios em busca de uma saideira e/ou uma partida de sinuca.

Muitos carros ficavam no estacionamento do posto de gasolina em frente com o som ligado para deixar o local ainda mais animado.

O domingo era sempre movimentado na distribuidora da Cerveja Brahma e Bar Amoricana. Localizado na Rua Pernambuco, entre Rua Tomé de Souza e Rua dos Inconfidentes, o local ao ar livre só vendia cerveja. Ficávamos em pé no meio dos inúmeros engradados de cervejas Brahma empilhados e diversos freezeres.

A turma que estudava no Colégio Marista Dom Silvério respondia à “chamada de presença”, nas sextas feiras, no Bar Pop Pastel, onde hoje tem o PORKs, na Avenida do Contorno com Avenida Cristóvão Colombo. Muita conversa, desde com tinha sido a prova do dia até a programação do final de semana, regado a muita cerveja e pastéis. Até o conhecido padre Henrique, vulgo “bigodinho”, que atuava no colégio, participava de alguns encontros.

A primeira pista de Boliche de Beagá ficava localizada no quarteirão fechado dos bares da Savassi, na Rua Antônio de Albuquerque com Rua Paraíba. A casa chamava se Boca da Noite e era frequentada pelos que queriam praticar o boliche, paquerar ou tomar um chopp gelado com batatas fritas. Ficava ali onde é a loja de vários artigos Gurojeba.

A boite UP Stairs tinha uma agradável pista dançante e foi palco de muitas festas particulares de colégios. Músicas modernas animavam a Rua Tomé de Souza com Rua Pernambuco. A grande dificuldade era na saída que tinha uma grande escadaria com muitos degraus que pareciam se mexerem, depois de algumas goladas nos drinks e chopps.

A Confeitaria Chantilly ficava em frente ao Shopping Quinta Avenida e lotava a Rua Alagoas nas sextas feiras, próximo ao horário do almoço, quando terminava as aulas nos colégios Dom Silvério, Santo Antônio e Padre Machado. Uma turminha do Isabela Hendrix também comparecia.

O chopp gelado, com ou sem steinhaeger, é servido desde a década de oitenta até os dias atuais no Stadt Jever, localizado na Avenida do Contorno, esquina com Rua Grão Mogol. Neste pub alemão tem muita animação, cerveja, comida alemã e rock’n’roll. Hoje a cervejaria Wals, vinculada à AMBEV, é gestora do local.

Para a society tinha a Lápogee, localizada na Rua Antônio de Albuquerque, que era uma boite dançante com um clube para associados. A turma ia mais arrumada para frequentar e enfrentar uma longa fila de espera.

Para “matar a fome” no final da balada tinha o Renato Burguer, localizado na Avenida do Contorno, quase esquina com Rua da Bahia. O cardápio era diversificado e era comum quem passava por lá de carro buzinar e gritar para o sorridente Renato.
Tinha o chamado desafio de sanduíches que era uma aposta entre o proprietário da lanchonete e os clientes.

O cliente tinha que comer três sanduiches, tipo X Tudo, direto preparados pelo Renato. Se o cliente conseguisse comer os três sanduíches tipo X Tudo não pagava nada. Se o cliente parasse antes de finalizar os três sanduíches X Tudo tinha que pagar tudo e ganhar uma “gozação” do Renato.

Confesso que fui lá várias vezes e só vi um vitorioso “comelão”: meu saudoso e grande amigo Ricardo Peluso que nos deixou muito cedo numa competição contra o câncer que não conseguiu vencer. Pelusão comeu os três sanduíches X Tudo e ainda “gozou” o Renato para colocar mais recheio no próximo desafio. Os amigos do Ricardo: Tonhão, Titi, Belo, Rafa, Véio, Cateb, Bruninho, Fagundes, Brandão, Luis Otávio e Bocão, comemoraram muito a façanha neste dia.

Principalmente no período pós pandemia mundial, os hábitos noturnos mudaram em BH e no mundo.

Muitas pessoas, hoje em dia, preferem encontros mais intimistas, na casa dos amigos, ao invés de sair para a balada.
Resistindo à esta nova tendência, a Savassi continua sendo um dos bairros da capital mineira com maior número de bares. Vou citar sobre os inúmeros bares atuais da Savassi em outro espaço de crônica em breve.

Já que a Savassi não tem mar, vamos manter a tradição de desfrutar das inúmeras opções de baladas da Savassi, respeitando os moradores e frequentadores da região denominada o coração de Beagá.